Eu ainda não terminei a trilogia, mas posso dizer, com todas as palavras, que Dragões de Éter prendeu minha atenção — e me fez trocar um livro pelos três em promoção e interar mais alguma coisa.
Sinopse
(Vol.1) — Nova
Ether é um mundo protegido por poderosos avatares em forma de
fadas-amazonas. Um dia, porém, cansadas das falhas dos seres
racionais, algumas delas se voltam contra as antigas raças. E assim
nasce a Era Antiga. Essa influência e esse temor sobre a humanidade
só têm fim quando Primo Branford, o filho de um moleiro, reúne o
que são hoje os heróis mais conhecidos do mundo e lidera a
histórica e violenta Caçada de Bruxas. Primo Branford é hoje o Rei
de Arzallum, e por 20 anos saboreia, satisfeito, a Paz. Nos últimos
anos, entretanto, coisas estranhas começam a acontecer… Uma menina
vê a própria avó ser devorada por um lobo marcado com magia negra.
Dois irmãos comem estilhaços de vidro como se fossem passas
silvestres e bebem água barrenta como se fosse suco, envolvidos pela
magia escura de uma antiga bruxa canibal. O navio do mercenário mais
sanguinário do mundo, o mesmo que acreditavam já estar morto e
esquecido, retorna dos mares com um obscuro e ainda pior sucessor. E
duas sociedades criminosas entram em guerra, dando início a uma
intriga que irá mexer em profundos e tristes mistérios da família
real. E mudará o mundo. [Saiba mais em http://www.raphaeldraccon.com/blog/]
Eu
já tinha ouvido falarem muito bem sobre o livro, mas nunca tinha
tido curiosidade o bastante para conferir a sinopse. Quando
me deparei com isso, a primeira coisa que pensei foi:
Outro
livro sobre batalhas e reinos? Nah.
Mas eu já tinha comprado os três volumes e resolvi que deixá-los
de lado não seria uma opção. Quando
abri o livro, a primeira coisa que pensei foi:
Esse
cara é foda.
E isso na primeira página. Eu geralmente dou preferência a livros
em primeira pessoa, mas Dragões de Éter é diferente. É o tipo de
texto onde o autor expõe sua própria opinião sobre o assunto, e os
vários lados da situação. O que Raphael Draccon faz explicando o
ponto de vista do "lobo mal" é impressionante.
"Primeiro,
o assassino.
Certo,
se você está acompanhando e entendendo a narração pelo ponto de
vista humano
da narrativa e, por esse prisma, o lobo gigantesco nada mais é que
um assassino sanguinário de senhoras solitárias e indefesas. Mas
você não pensaria assim se compreendesse os fatos pelo lado animal
da história. Pois estamos falando de um lobo faminto carnívoro e de
uma humano que resolveu por vontade própria morar sozinha no meio da
floresta!" (Dragões
de Éter, Vol.1 — Caçadores de Bruxas, pág. 25).
Não sei se já ouviram falar
sobre o assunto principal dos livros; contos de fadas. Mas não
simples contos de fadas, Raphael Draccon liga as histórias com
perfeita concordância e explica coisas que nunca entendemos quando
líamos as versões originais. Nomes? Me diga em quais contos de
fadas os personagens tem nomes razoáveis — ou até mesmo nomes.
História? No meu ponto de vista, contos de fadas são curtos e sem
muito envolvimento. Exemplo: em nenhuma das versões de Chapéuzinho
Vermelho, se consegue uma explicação pela avó morar sozinha
afastada de tudo e todos. Em João e Maria, fica claro um final
feliz, mas nunca foi explicado como as pessoas reagiram ao que as
crianças contaram. Ninguém nota isso quando se tem cinco anos de
idade — e depois perde-se o interesse —, é verdade. Mas são
coisas que têm importância em uma história mais desenvolvida como
Dragões de Éter.
O autor encontrou uma maneira de
contar histórias de outro jeito, com várias visões "da
coisa". É fascinante como ele explica as razões pelas quais os
personagens se tornaram lendas. Parabéns, Raphael, por conseguir
ligações com contos de fadas que ninguém nunca havia conseguido
antes. Espero que tenham gostado (:
